As crianças e suas dificuldades
As preocupações dos pais com o desenvolvimento da criança são inúmeras, mas uma que aflige a muitos é a questão da fala. Comparação com os filhos dos amigos, dos vizinhos é praticamente inevitável, mas é importante saber que cada criança tem um desenvolvimento particular.
O atraso de linguagem caracteriza-se pela ausência ou pelo retardo no aparecimento da linguagem oral. Crianças com até um ano e meio que não dizem palavras isoladas ou que aos dois anos não formam frases, devem ser avaliadas.
Esperando que a criança se desenvolva, alguns pais hesitam em procurar a orientação de um profissional especializado, o que, infelizmente, é um fato muito freqüente. A criança com cinco anos, em média, já deve falar todos os fonemas e letras. Caso ela apresente alterações na fala, como, por exemplo, troca de fonemas e letras, aconselha-se o encaminhamento para uma orientação fonoaudiológica.
Mesmo antes dessa idade, se a fala da criança for de difícil compreensão ou gerar constrangimento, pode ser necessária à ajuda de um especialista. A avaliação precoce é importante para que problemas de linguagem ou de fala, que podem gerar transtornos sociais e emocionais que repercutem no processo escolar e na vida da criança, sejam evitados.
Fala versus linguagem
Resumidamente, linguagem é a capacidade de compreender, de ser compreendido e de estruturar as nossas idéias.
A fala refere-se basicamente à forma de articular os sons das palavras. Algumas vezes, a fala encontra-se muito alterada e dificulta a compreensão. Podemos ter alterações na fala e/ou na linguagem.
Segundo alguns pesquisadores, a linguagem é construída através das vivências da criança com seu meio. Essas vivências ocorrem no espaço das interações que elas mantêm com os adultos e com outras crianças. Assim, é fundamental que a mãe, ou a pessoa que cuida da criança, converse sempre com ela, procurando falar corretamente, porque ela será o modelo para a criança. Os adultos devem estar atentos e ouvi-la mesmo que não a compreendam ou pensem que ela não possa compreendê-los. Essa estimulação pode ser feita na hora do banho, das refeições, na troca de roupa ou quando estão brincando, gerando momentos agradáveis para todos.
O atraso de linguagem pode ser sinal de algum problema, como deficiência mental, deficiência auditiva, falta de estímulo, dificuldades psicológica e neurológica ou resultado do comportamento dos pais, que “adiantam” ou “adivinham” à vontade da criança, fazendo com que ela não tenha necessidade de se comunicar.
Outro comportamento que pode contribuir para o atraso no desenvolvimento da linguagem é esperar mais do que a criança, no momento, é capaz de oferecer, o que gera frustração tanto para a família quanto para a própria criança, acarretando dificuldades maiores.
Portanto, devemos estar atentos e, a qualquer sinal, levar a criança para ser avaliada por um fonoaudiólogo, atitude que pode fazer uma grande diferença no futuro.
Rosana Matheus Rodrigues e Denise Rodrigues